sexta-feira, 29 de abril de 2011

Trabalho de Cor - Memória Descritiva

Em mais um trabalho realizado em parceria com Eduardo Aranha, desta vez o objectivo final seria alterar três diferentes imagens através da cor, modificando o seu sentido, para explorar as potencialidades da cor enquanto elemento de comunicação visual.

A primeira imagem alterada pertence ao filme “Lovely Bones”. A imagem original permite visualizar uma rapariga, com uma paisagem iluminada pelo sol no fundo da imagem, que sorri para o horizonte. As cores alegres presentes na imagem, bem como a roupa e a expressão facial da rapariga exibem um sentido de felicidade iminente. O desafio proposto por nós seria, então, concentrarmo-nos no olhar dúbio da personagem, alterar as cores da imagem e conseguir tornar um ambiente colorido e alegre em algo sombrio e mórbido. Procedeu-se, então, ao escurecimento do céu, do cabelo e da relva, à mudança de cores do casaco e da camisa, ao avermelhar dos lábios e dos olhos e ao transformar da pele num tom pálido. Eis as versões original e final da imagem.





A segunda imagem alterada foi a capa do álbum “Black Clouds and Silver Linings” da banda Dream Theater. Originalmente, conseguimos visualizar um ambiente escurecido e sombrio, no centro do qual se encontra um pequeno rapaz, prestes a atravessar uma porta que o levará para o céu claro e iluminado pelo sol. Procedendo à alteração das cores da imagem, revertemos a situação, criando uma hipótese em que o inocente rapaz vislumbra o céu cinzento, estando já num local iluminado e azul.




Por fim, o filme “Orgulho e Preconceito” com a protagonista Keira Knightley foi alvo de alteração. Na imagem original vemos a protagonista a ler um livro num local repleto de características místicas, quase como se de um sonho pessoal se tratasse. O foco principal parece ser a expressão facial de Keira, que expressa uma calma invejável. Alterando toda a imagem para um registo preto e branco, mantendo apenas o livro colorido, conseguimos com que a atenção fosse agora totalmente concentrada no livro que a personagem carrega, demonstrando assim que a existência ou não de cor pode fazer toda a diferença na interpretação de um quadro. Basta lembrar o filme “A Lista de Schindler”, a preto e branco, onde aparece uma rapariga aparece vestindo uma roupa vermelha, único elemento que aparece a cores em todo o filme e que carrega um forte simbolismo.


quarta-feira, 20 de abril de 2011

Cor - O que é e o que pode fazer?

Cor

A cor é uma percepção visual provocada pela acção de um feixe de fotões sobre células especializadas da retina, que transmitem informação para o sistema nervoso.
A cor de um material é relacionada com os diferentes comprimentos de onda do espectro electromagnético. Um objecto terá determinada cor se não absorver os raios correspondentes à frequência daquela cor. Por exemplo, um objecto é vermelho se absorver preferencialmente as frequências fora do vermelho.
A cor tem maiores afinidades com as emoções, daí que quanto maior a ligação a uma determinada cor, mais tendência temos para nos rodearmos dela, seja pelas boas vibrações que nos transmitem, pelo conforto ou até pela singularidade. O branco, por exemplo, está associado à paz, à tranquilidade e ao equilíbrio; o preto, ao luto, à tristeza, à magia e ao mistério; o amarelo à luz, energia, à vitalidade, ao optimismo; e por aí fora.



A cor, assim, quando utilizada numa imagem pode ser bastante apelativa e transmitir uma mensagem objectiva. Vejamos as seguintes imagens:





O objectivo do próximo trabalho de DCV é aproveitar as qualidades comunicativas da cor, pegar em imagens originais e alterá-las, de forma a que a mensagem original seja completamente modificada. Eis alguns exemplos de como isso pode ser feito.



segunda-feira, 4 de abril de 2011

Tipografia - Fernando Pessoa e os seus heterónimos

O segundo trabalho da disciplina de DCV está finalmente completo.

Este trabalho foi, mais uma vez, uma parceria entre João Gonçalves (eu) e Eduardo Aranha, ambos alunos da turma 1, e resumia-se à difícil tarefa de, apenas com a utilização de letras, realizar uma imagem.

Foram-nos dados três excertos de poemas, um de cada um dos três heterónimos mais conhecidos e estudados de Fernando Pessoa (Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis), e o objectivo era que conseguíssemos retratar, numa imagem, esse mesmo poema.

Como regras tinhamos:

1 - Deverão ser utilizadas 21 linhas de texto (Times New Roman, tamanho 12), nem mais, nem menos;
2 - As únicas letras que necessitam de ser legíveis são as que retratam o poema, que tem que estar escrito na composição visual.

De resto, seria apenas necessário dar asas à imaginação e fazermos das letras o que quiséssemos.

Comecemos por Alberto Caeiro:



As 21 linhas de texto foram utilizadas na parte inferior da imagem. As letras foram pintadas de duas cores diferentes que, juntas, retratam o horizonte em forma de campos de milho, árvores, natureza. O pôr-do-sol é representado pela letra C (primeira letra de "Caeiro"), que sofreu uma rotação de 90º. As cores foram minuciosamente escolhidas para representar a personalidade do sujeito poético, influenciada pela natureza e pela visão objectiva da realidade.

O poema foi escrito no interior do sol. O tipo de letra é pequeno e frágil, bem como a sua cor (cinzento claro), retratando as almas tristes de que o poema fala.
As passagens "que traçam linhas de coisa a coisa" e "(...)desenham paralelos de latitude e longitude" foram pretexto para acrescentar simetria ao restante poema, utilizando as linhas como continuação das letras o que revelou ser uma excelente adição visual à composição final.

De seguida, Álvaro de Campos:



Álvaro de Campos é o heterónimo de Fernando Pessoa conhecido pela sua paixão às máquinas, às rodas, engrenagens, motores, etc. Esse facto foi aproveitado, como é fácil reparar, pela criação de duas engrenagens com a utilização das 21 linhas, bem como o texto original disposto de forma circular pela imagem.

Uma excelente adição ao trabalho foi a passagem "r-r-r-r-r-r-r eterno!". Na imagem final, os "r-r-r-r-r-r-r" tão importantes na compreensão do poema têm um enfase especial, visto serem o único elemento colorido da imagem, o que chama imediata atenção (para além do facto de estarem no centro). Isto foi feito através da transformação de faíscas, produto natural das engrenagens.

Concluíndo, Ricardo Reis:



Tendo os dois primeiros trabalhos sido mais abstractos, achamos por bem que o último, para ser um pouco diferente, fosse totalmente descritivo. O poema dá-nos a imagem de uma pagã triste, com flores no regaço, em frente a um rio, e foi precisamente isso que nos propusemos a fazer.

Foi tirada uma fotografia a uma colega, à qual desde já agradecemos, editada no Photoshop com a introdução de um ramo de flores, tudo para que pudéssemos ter uma imagem de referência para a realização da silhueta feminina. Bastou acrescentar 4 linhas curvas de cor azulada e o poema (com o pormenor de uma lágrima na palavra "triste") para que a imagem ficasse completa, a nosso ver.

Conclusão:

Foi um trabalho deveras interessante, realizado com a utilização de um programa que nos era desconhecido (Macromedia Freehand), o que nos possibilita um crescimento na área audiovisual, não só em termos técnicos como em termos de ideias, sendo que realizamos algo que nem imaginávamos poder ser feito (a arte da tipografia era-nos desconhecida!).