segunda-feira, 4 de abril de 2011

Tipografia - Fernando Pessoa e os seus heterónimos

O segundo trabalho da disciplina de DCV está finalmente completo.

Este trabalho foi, mais uma vez, uma parceria entre João Gonçalves (eu) e Eduardo Aranha, ambos alunos da turma 1, e resumia-se à difícil tarefa de, apenas com a utilização de letras, realizar uma imagem.

Foram-nos dados três excertos de poemas, um de cada um dos três heterónimos mais conhecidos e estudados de Fernando Pessoa (Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis), e o objectivo era que conseguíssemos retratar, numa imagem, esse mesmo poema.

Como regras tinhamos:

1 - Deverão ser utilizadas 21 linhas de texto (Times New Roman, tamanho 12), nem mais, nem menos;
2 - As únicas letras que necessitam de ser legíveis são as que retratam o poema, que tem que estar escrito na composição visual.

De resto, seria apenas necessário dar asas à imaginação e fazermos das letras o que quiséssemos.

Comecemos por Alberto Caeiro:



As 21 linhas de texto foram utilizadas na parte inferior da imagem. As letras foram pintadas de duas cores diferentes que, juntas, retratam o horizonte em forma de campos de milho, árvores, natureza. O pôr-do-sol é representado pela letra C (primeira letra de "Caeiro"), que sofreu uma rotação de 90º. As cores foram minuciosamente escolhidas para representar a personalidade do sujeito poético, influenciada pela natureza e pela visão objectiva da realidade.

O poema foi escrito no interior do sol. O tipo de letra é pequeno e frágil, bem como a sua cor (cinzento claro), retratando as almas tristes de que o poema fala.
As passagens "que traçam linhas de coisa a coisa" e "(...)desenham paralelos de latitude e longitude" foram pretexto para acrescentar simetria ao restante poema, utilizando as linhas como continuação das letras o que revelou ser uma excelente adição visual à composição final.

De seguida, Álvaro de Campos:



Álvaro de Campos é o heterónimo de Fernando Pessoa conhecido pela sua paixão às máquinas, às rodas, engrenagens, motores, etc. Esse facto foi aproveitado, como é fácil reparar, pela criação de duas engrenagens com a utilização das 21 linhas, bem como o texto original disposto de forma circular pela imagem.

Uma excelente adição ao trabalho foi a passagem "r-r-r-r-r-r-r eterno!". Na imagem final, os "r-r-r-r-r-r-r" tão importantes na compreensão do poema têm um enfase especial, visto serem o único elemento colorido da imagem, o que chama imediata atenção (para além do facto de estarem no centro). Isto foi feito através da transformação de faíscas, produto natural das engrenagens.

Concluíndo, Ricardo Reis:



Tendo os dois primeiros trabalhos sido mais abstractos, achamos por bem que o último, para ser um pouco diferente, fosse totalmente descritivo. O poema dá-nos a imagem de uma pagã triste, com flores no regaço, em frente a um rio, e foi precisamente isso que nos propusemos a fazer.

Foi tirada uma fotografia a uma colega, à qual desde já agradecemos, editada no Photoshop com a introdução de um ramo de flores, tudo para que pudéssemos ter uma imagem de referência para a realização da silhueta feminina. Bastou acrescentar 4 linhas curvas de cor azulada e o poema (com o pormenor de uma lágrima na palavra "triste") para que a imagem ficasse completa, a nosso ver.

Conclusão:

Foi um trabalho deveras interessante, realizado com a utilização de um programa que nos era desconhecido (Macromedia Freehand), o que nos possibilita um crescimento na área audiovisual, não só em termos técnicos como em termos de ideias, sendo que realizamos algo que nem imaginávamos poder ser feito (a arte da tipografia era-nos desconhecida!).

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